domingo, 28 de junho de 2015

OS LIVROS RELIGIOSOS DO EGITO ANTIGO - Jarbas Vilela.





A morte encontra um símbolo no pôr-do-sol.
A alvorada é uma ressurreição.
A noite engole o dia.
A morte engole a vida.
Cada dia é um ciclo e uma vida.
O drama dos dias é o drama dos anos, infinitamente !













"Nas  pirâmides de Abussir  aparece, pela primeira vez, o estilo de ornar, com inscrições, as câmaras interiores do túmulo.
Essas inscrições, copiadas nas pirâmides dos faraós seguintes da VI dinastia, constituem-se de uma série de encantamentos e invocações, com a finalidade de assegurar a salvação e a felicidade do espírito do rei no outro mundo.
Embora muitas vezes selvagens e mesmo absurdas, são do mais alto interesse para o estudioso de Antropologia"
JOHN A.  WILSON  -  "The Burden of Egypt", 1951 ).





O  TEXTO DAS  PIRÂMIDES

é o fundamento sobre o qual repousam as  páginas do  LIVRO DOS MORTOS  e  outros textos semelhantes.
Por meio deles obtemos uma boa noção do lado baixo da inteligência egípcia, contrastando profundamente com o espírito elevado que produziu as grandes pirâmides.







Os  encantamentos  da  Pirâmide de  UNAS, a primeira delas a ter inscrições, são organizados de modo a permitir que o rei morto, pelo poder de sua força, possa obrigar todos os seres do mundo vizinho a submeterem-se  -  mesmo os próprios deuses devem inclinar-se sob o seu cetro.




Câmara mortuária da Pirâmide de  UNAS.



A chegada do rei morto é descrita como um cataclisma em que tremem o céu e a terra, já que ele é uma força poderosíssima :

'Os céus se abrem e as estrelas tremem quando  UNAS  surge como um deus'...
'Armou-se com uma coluna vertebral de suas vítimas, arrancou os corações dos deuses'.
'UNAS se nutre dos pulmões dos deuses que contêm a sabedoria.  Nunca suas virtudes lhe poderão ser tomadas, porque engoliu a potência dos deuses.'



O  TEXTO DAS PIRÂMIDES  do  Antigo  Império continuou em uso nas épocas Saíta e Persa  e  os manuscritos escolares desses tempos são cópias das  Instruções  de 7 séculos anteriores.



O  TEXTO DAS PIRÂMIDES  contém todas as expressões que favoreciam a vida eterna  :  há rituais para
acompanhar a alimentação,
afugentar doenças,
exorcismos contra serpentes, escorpiões
e outras tantas coisas perigosas que podiam infestar a terra onde era sepultado o  'bom deus'.


Há livros antigos,
fragmentos de mitos
e ritos pré-dinásticos, destinados a relacionar o rei morto com o passado glorioso  e projetar sua realeza noutro mundo.



No  TEXTO DAS PIRÂMIDES  há um  "livro canibalesco"  em que o faraó morto ameaça devorar os homens e deuses para assimilar suas capacidades.

"O espanto que deveria produzir o rei voraz, era reforçado pela repetição de tons ásperos:  'UNI pi sekhem wer , sekhem em sekhemu ;  UNIS pi ashem, ashem,ashenu, wer'   =  UNAS é o grande poder, mais poderoso que o poderoso; UNAS é um pássaro de presa que apreza os pássaros de presa, o Poderoso."
JOHN  A.  WILSON  -  obra citada ).


A magia sempre foi um elemento preponderante da vida egípcia ;
conhecemos amuletos de tempos primitivos e os  TEXTOS  DAS PIRÂMIDES  estão cheios de salmos protetores.






Entre as dinastias  VII e XI  temos que reconhecer um outro tipo de inscrição mortuária, do mesmo estilo do gravado nas pirâmides :  trata-se dos   TEXTOS  DOS  ATAÚDES.




Os textos e desenhos rituais cobriam os ataúdes internamente e externamente.

O ataúde corresponde ao nosso caixão funerário.

Decoração do ataúde de NESYAMEN.

 
 
 

Eles contêm certos elementos mágicos e rituais que são de conteúdo puramente moral.


A retitude moral era um requisito necessário para a vida eterna e os bens materiais não tinham tanta importância como o caráter de um indivíduo.


Certas sentenças do  TEXTO DOS ATAÚDES  são afirmações de integridade moral por parte do morto, enquanto que no  LIVRO DOS MORTOS  são afirmações de conformidade com o ritual.



Acreditavam num Juízo dos deuses, presidido por  OSÍRIS  ( que pesava o coração )  -  posteriormente substituído por  RÁ  (que media o caráter ).    Neste último tribunal os mortos eram chamados de  'justos de vóz'  ou  'triunfantes',  significando que haviam sido considerados  'justos'  pelo Tribunal.




Sarcófago de TUTMÓSIS  I   com textos religiosos em hieróglifos.

Os sarcófagos guardavam o ataúde, ou os ataúdes, contendo a múmia.






"O  LIVRO DOS MORTOS   é o monumento mais importante que possuímos sobre a  religião egípcia.
Graças a ele conhecemos de modo determinante as doutrinas professadas por aquela civilização com respeito
à filosofia,
à moral,
aos conhecimentos psíquicos,
à constituição do ser humano,
sua desintegração no instante da morte
e os renascimentos que constituem a consequência do Juízo.
Vem à ser o documento mais autêntico e seguro para adquirir-se idéias positivas relacionadas com a religião do antigo egiptano.
Contém revelações e pontos de vistas filosóficos, um completo ritual mágico e religioso relativo ao culto do morto e sua preservação onde há de permanecer."
HENRI  DURVILLE  -  "La Science Secrète" ).



"O Livro dos Mortos nos revela a crença egípcia em uma segunda vida, alegre ou penosa, segundo o julgamento que a alma do morto deveria sofrer na Sala do Juízo. 
... se o julgamento resultasse favorável, o morto pedia a OSÍRIS que o fizesse imortal como ele e que lhe proporcionasse um  'corpo espiritual'"
R. COPPEL  -  "As Religiões". Rio, Cedibra, 1972 ).




"Um breviário de orações próprias para ensinar aos defuntos a melhor maneira de viverem confortavelmente a vida de além túmulo ; 
um passaporte indispensável aos defuntos ;
uma obra pacientemente recopiada em milhões de exemplares ;
ensinamentos para a alma que acaba de separar-se do corpo e avisos sobre o que terá de passar, antes de ser admitida no meio dos deuses ;
as preces e encantações ajudariam a alma a vencer o Mal e, nessa peregrinação pelo Espaço, ela teria a múmia, seu corpo embalsamado para descansar  -  se o corpo fosse destruído, a alma ficava vagueando, desesperada, sem pouso !"
V. LEFÈVRE  - "No Egito Antigo". São Paulo,Ed.Anchieta S/A, 1945 ).




LIVRO DOS MORTOS 
 foi denominação dada por  RICHARD LEPSIUS ;
 
LIVRO DA MORADA OCULTA,
 por  PAUL  PIERRET ;
 
RITUAL  FUNERÁRIO ,
 por  CAHMPOLLION  e EMMANUEL DE ROUGÉ ;
 
LIVRO DA SAÍDA DO DIA PARA A NOITE ,
 por  Sir E.A.BUDGE  (Londres, 1898).



Todos estes se referem ao mesmo assunto.




Livro dos Mortos.




O  LIVRO DOS MORTOS, o qual toda múmia devia levar um exemplar mais ou menos completo, contém partes destinadas também às diversas cerimônias do funeral.



Os mais antigos fragmentos do  LIVRO DOS MORTOS  foram descobertos nos ataúdes da  XI Dinastia e atualmente passam de 160 o número de obras catalogadas nos museus.



Sarcófago de madeira decorado com versículos do Livro dos Mortos.



A ordem dos Capítulos é variada.
Os Capítulos são chamados 'ra-u' (= encantações), na língua egípcia.
 
 

A redação do Capítulo 64, descoberto no reinado de  MANKAURÁ  é atribuída, pelos egípcios, ao seu deus  THOT  (deus da sabedoria)  e  o  Capítulo 130  resultaria do hipogeu  dedicado por  HÓRUS  a seu pai  OSÍRIS, no reinado de  DEM-SEMPTI  (também chamado  OUSAFAIS e  HESEPTI), da I Dinastia.




     Procissão funeral :

Capítulo 1 :

'Ó OSÍRIS, Touro de Amenti !
Ó Rei da Eternidade !
Eu sou o Grande Deus na barca divina ; combati em teu nome ; sou um dos Chefes divinos que fazem a Verdade da palavra de OSÍRIS contra seus inimigos  -  o dia de poder apreciar as palavras de OSÍRIS.
Teus companheiros são os meus.
Sou mais que um modesto sacerdote em Tatús ; trago as unções de Ábidos.
Sou profeta.
Dirijo as cerimônias de Mendes : sou o auditor  ('soten') no exercício de suas funções.
Sou o Grande Chefe da Obra que coloca a barca sobre o suporte.
Conduza a alma de  OSÍRIS ........... e levai-a à Morada de OSÍRIS.
Ela vê, ouve, mantém-se em pé e se senta como vós.
Que não seja rechaçada nem apartada.
Estando suas palavras convertidas em pura verdade, que se cumpram suas ordens na Morada de OSÍRIS.
OSÍRIS ............ encaminha seus passos até o Ocidente.'
     
  Prece oferecida a AMEN-RÁ :

'Ó, Único radiante na lua !
Abre-me o 'Tian' , porque saudei a luz do dia para fazer o que quero entre os vivos, sobre a terra'.


O Capítulo 2 é consagrado à vida que se inicia após a morte e o 44 enuncia formalmente que a nova vida não estará mais sujeita à morte :

'Possuo a duração, a altura, a elevação.
Respiro no domínio de meu pai, o Grande.
Meu rosto se descobre :
Sou Rá que se protege a si mesmo.
Nenhuma coisa má poderá destruir-me.
Eu recomeço a vida após a morte, como faz o sol todos os dias'


Capítulo 3 :

      Fórmula execratória contra APAP  (princípio do mal, sob a forma de serpente) :

'Ó, único que aprisionas e arrasta à destruição vivente os que passam por mortos :  eu não me imobilizo perante ti.
Teu veneno não penetra em minhas carnes.
Não me verás paralisado por teu influxo, nem podes acercar-te de mim, porque sou forte, sou forte !
Vê a seu pai OSÍRIS.
Separa as trevas de seu pai OSÍRIS. ...
Armado com o poder de minha palavra, a Verdade, afronto serenamente meus inimigos.
Cruzo o céu, a terra.
Por meu próprio poder estou provido de milhões de anos.

      Saudação a RÁ, Soberano da Luz, cuja palavra é a Verdade :

'Honras a ti que te elevas no horizonte pela manhã e o percorres ditosamente com o dom da palavra, que é a Verdade.
Tu caminhas permanecendo oculto à vista dos homens.
Próspera é a marcha sob tua santidade para os que recebem teus raios sobre a face !   ...
Posso caminhar como tu caminhas, assim como caminha Tua Santidade, ó sol !


Capítulo 20 :

      OSÍRIS ......... obtém a faculdade de penetrar nos mundos ocultos :

'O homem que não aceitar este capítulo, depois de haver se purificado na água de natrão, fará todas as transformações que lhe surja no coração : passará através do fogo, em Verdade'.

'Dá-me a boca para poder falar.
Dirige meu coração no momento propício para defende-lo dos conspiradores das trevas.
Resplandeço fora do ôvo no País dos Mistérios.
Dá-me a boca para falar.
Estou ante os Grandes e Divinos Chefes, ante o Deus grande, Senhor do Hemisfério Inferior.'

      Após o cerimonial da 'abertura da boca' :

'Graças a meus mágicos encantamentos, digo tudo o que dizem os outros ;  atuo como dominador dos meus mágicos encantamentos.'


Capítulo 26 :

'Possuo o conhecimento de meu coração.
Sou dono dele :  comando meus braços e minhas pernas.
Sou seu dono :  tu estás em meu peito.
Nunca mais tu te apartarás de mim.
Te darei ordens que tu executarás na divina região inferior'


Capítulo 30 :

      Trata de não deixar que o coração ofereça oposição nos infernos :

'Meu coração, proveniente de minha mãe, meu coração que é necessário à minha vida sobre a terra, não te levantes contra mim : não testemunhe como meu adversário entre os Divinos Chefes, no relativo ao que tenho feito ante os deuses.
OSÍRIS, gênios funerários que inspecionais as entranhas dos mortos embalsamados, contidas nos canopos, perto do sarcófago !
Ó deuses, por vossos báculos peço que assistam benevolentemente a  OSÍRIS ...........
Protegei-o contra  NEHBKA, a serpente que destrói as múmias !'

      Prece para afugentar 4 crocodilos, símbolos das energias perversas de SETH :

'Atrás !   Retrocede !   Atrás, crocodilo !
Não intentes prejudicar-me.
Conheço o poder de meus mágicos encantamentos.
Minha boca formula invocações dos encantamentos mágicos ...
Eu rezo, usando fórmulas mágicas ...  eu abro a boca dos deuses.
Sabendo-se este capítulo, encontra-se a luz :  então, pode-se andar sobre a terra, passando entre os vivos.
Realmente não se pode sofrer dano algum, nunca mais'.
Possuo a duração, a altura e a extensão.
Respiro no domínio de meu pai, o Grande.
Meu rosto se descobre.
A víbora está todo dia sobre mim.
Eu sou RÁ, que se protege a si mesmo.
Nenhum princípio mal pode derrotar-me.
Eu recomeço a vida, após a morte, como faz o sol, todos os dias.

      Afirmação de ANÚBIS, Franqueador dos Caminhos, protetor dos iniciados :

'Eu falo : conhecendo este capítulo o defunto não se corrompe na divina região inferior'.

      Diz OSÍRIS ........ :

'Dá-me a insígnia da vida que tens na mão e o cetro 'nasen' que levas.
Dá-me a vida com vossas palavras.
Concede-me numerosos anos, sobre os anos da minha vida.  ....
SAou puro, regenerado, favorecido, forte em potência de alma e dominador.
Retiro todos os venenos de vossas línguas.
Retiro todo o mal que há em vós.
Separo de vós os pecados que guardais.
Trago-te o bem : faço com que o Verdadeiro chegue até vós.
Vejo os deuses resplandecentes de alegria.
As deusas e as mulheres me estimam.
Recebo os alimentos sobre o altar e sacio minha sede com o licor consagrado.
Me transformo em Deus venerável, dono da Grande Morada. ...
Sou uma lótus pura, que surge luminosa, que brotou puramente no Campo do Sol.
Nenhuma coisa adversa me pode destruir.'


Capítulo 89  trata dos meios de identificar a alma e o corpo na região inferior divina.
A cena que ilustra o texto mostra a alma, sob a forma de um gavião com cabeça humana, voando sobre a múmia, que jaz em seu leito funerário, sustentando com as garras o símbolo  'ank'.


O  Capítulo 90  está consagrado a fazer o morto recobrar sua inteligência :

'Abro porque me abrem... abro o caminho à minha alma...
Não aprisioneis minha alma.
Não guardeis minha sombra para que eu abra o caminho à minha alma, à minha sombra, à minha inteligência, para que eu veja ao Grande Deus em seu  'naos'  no dia do juízo nas almas e repita as palavras de OSÍRIS, misterioso por sua Morada.''

      O OSÍRIS ........... invoca a THOT :

'Ó, Grande vidente que vê a seu pai !
Ó Guardião dos Livros Sagrados  :  eu me apresento como dono de minha inteligência.
Possuo a alma e estou armado com escritos de THOT : trago a paleta e os objetos de escrever.' ......

'Nasci e cresci entre os Grandes : sou como eles.
Descubro a face do olho único.
Abro o círculo das trevas : sou como um de vós.
Conheço os espíritos de Heliópolis : fui criado em Ro-Sta.
Os que estão entre as múmias me dão encantamentos favoráveis no santo lugar de OSÍRIS.
Recebo as dignidades de Ro-Sta   -  passo pelas moradas de OSÍRIS.'
.....................
'Sou um defunto que o céu situa no meio dos deuses.
Eles me falam e os homens me veneram.
Convertido em uma alma livre e perfeita, faço com que a Verdade se encaminhe até a alma.
Sou o defunto melhor preparado que qualquer outro, imagem das múmias de Heliópolis, de Mendes, de Heracleópolis, de Ábidos, de Panópolis e de Sennu.
Minha palavra é Verdade, como a dos Deuses e Deusas.



 

      E quando o Osíris ......... entra na Grande sala da Verdade, diz :

'A vós, mestres da Verdade, ofereço minha homenagem.
A ti, Grande Deus, Mestre da Verdade, igualmente meu tributo.
Aqui compareço para contemplar teu explendor.
Eu te conheço, conheço teu nome, conheço os 42 deuses que estão contigo na Sala da Verdade !
Alma Dupla, Senhora da Verdade é teu nome e sabes tu, Senhor da Verdade, que eu te trago a Verdade e que separo de ti o mal.'

      A confissão negativa :

'Nunca fiz mal a nenhum  homem.
Jamais fiz desgraçados a meus companheiros e semelhantes.
Jamais tive relação com o mal. e jamais o pratiquei.
Como chefe, nunca fiz um homem trabalhar mais que o devido.
Jamais realizei coisas que aborrecessem os deuses.
Nunca consenti que o senhor maltratasse o escravo.
A nenhuma pessoa fiz chorar.
Jamais menti.
Jamais saqueei provisões do Templo.
Não despojei os mortos.
Jamais fiz pressão sobre os pratos da balança.
Nunca tirei o leite da boca do menino.
Nunca tirei os bois do campo.
Não pus rede para apanhar os pássaros divinos.
Não desviei o curso de nenhum canal.
Nunca roubei as oferendas dos deuses.
Sou puro, puro, puro, como a pureza do Grande Bennu que está em Heracleópolis'.







O seguinte trecho figura na tradução para o inglês, de  ROBERT  HILLYER  -  o morto se ergue e canta um hino ao sol :

'Levanta-te ó RÁ, em tua formidável ascensão !
Tu nasces!  Tu brilhas !  Os céus se revolvem ao lado !
Tu és o  Rei dos Deuses, tu és o que tudo conténs ;
De ti viemos, em ti nos divinizamos.

Teus sacerdotes saem ao romper da aurora,
lavando o coração com risos.
Ventos divinos caminham em música,
através de tuas cordas de ouro.
E ao anoitecer te abraçam, quando as balsas das nuvens
flamenja com a refletida cor de tuas asas.


Tu navegas para o zênite e teu coração se regozija.
Teu Barco Matutino  e teu  BARCO VESPERAL
se encontram com os belos ventos.
Diante de tua face a deusa MA'AT exalta sua pena fatídica,
e o teu nome ressoa nos vestíbulos de  ANU.


Ó tu Perfeito !  Ó tu  Eterno !  Ó tu que és Único !
Grande falcão que voa com o Sol que voa !
Entre os Sicômoros de Turqueza que suscitas, para sempre jovem,
tua imagem fulgura como brilhante rio celeste.
Teus raios estão em todas as faces.
Tu é inesgrutável.


Idade após idade tua vida renova tua sequiosa primavera.
A poesia do tempo rodopia a teus pés !
Tu és imutável !
Autor do tempo, tu próprio além de todo o tempo.
Tu passas pelas portas que se fecham atrás da noite,
alegrando as almas daqueles que jazem na tristeza.


Verdadeiro de Palavras,  Coração Tranquilo,
levanta-te para beber a tua luz.
Tu és o Hoje, e o Ontem ;
tu és o Amanhã !
Louvor a ti ó RÁ, que tiras do sono a vida !
Tu nasces !  Tu brilhas !  Tua face radiante surge !
Milhões de anos já passaram  -  não podemos contar ser número.
Milhões de anos virão , mas tu estás além dos anos !!!'







Com o  Novo Império  os homens voltaram às imagens mágicas de virtudes preventivas, recitando hinos ajustados a um ritual muito complicado, com a finalidade de neutralizar o novo sentido fatalista da vida, pedindo aos deuses ajuda mágica.




Pelas inscrições que cobrem as paredes dos túmulos reais, durante o período de exaltação a  AMEN, dos  Raméssidas, vemos que os antigos capítulos do  LIVRO DOS MORTOS  foram suplantados pelas duas compilações dos sacerdotes de AMEN, chamadas

'O  LIVRO  DAS  PORTAS'   
 e

'O  LIVRO  DO  QUE  ESTÁ  NO  MUNDO  SUBTERRÂNEO'.






Imagens  e inscrições do  LIVRO DOS MORTOS  no interior de um sarcófago do Museu de Viena.









 
 
 
 
"Ó todos os deuses do Oeste de Mênfis e todos os deuses que reinam sobre a terra sagrada, OSÍRIS, ÍSIS e os grandes espíritos que estais a Oeste de Onkhtaoris :
dai-me um bom tempo de vida para servir vossos kás.
Que eu possa receber uma rica sepultura depois de uma bela velhice, de modo a contemplar o Oeste de Mênfis como um escriba muito honrado e como vós mesmos."
[ Livro dos Mortos ].
 
 
 
 
 
 
 
 



Diz a Bíblia que Deus escolheu o Egito para salvar  JESUS menino e a Sagrada Família da perseguição do rei Heródes.


 

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