quinta-feira, 1 de setembro de 2016

PECULIARIDADES DO DESENHO HIEROGLÍFICO EGÍPCIO




In     "L'Art Égyptien"  - C.D-Nobhecourt







FALTA  DE  PERSPECTIVA :

Era uma pintura em duas dimensões.
A perspectiva, como sabemos, modifica a dimensão do objeto e oferece alterações de colorido.



Os egípcios preferiam representar os objetos, não conforme sua aparência, mas na sua realidade  -  não como se vê, mas como realmente são.
Os objetos são representados num só plano.



Há uma tentativa de usar jogo de luz e sombra nas pinturas da tumba de NEFERTARI-EN-MUT, no Vale das Rainhas, Tebas.

Rainha  Nefertari-en-Mut
Vale das Rainhas - Luxor.



Para indicar a terceira dimensão, sobrepunham as figuras ligeiramente.




AS  DIMENSÕES  DAS  FIGURAS VARIAVAM  CONFORME  SEU  'STATUS'  ou  HIERARQUIA.







FIGURAS DE PERFIL :

A figura humana é mais característica vista de perfil, onde temos um detalhe mais exato e completo da ossatura e volume da cabeça, dos contornos exteriores.
No desenho egípcio a figura é apresentada como se vista por vários ângulos, num único desenho.



Cada parte do corpo é tratada separadamente, com regras convencionais :

CABEÇA :
orelhas  =  de frente  ( inteira e completa ).
olhos      =  de frente  ( pálpebra, pupila, íris, lacrimal ).

Sob  Amarna, um ponto de sombra nas narinas e uma linha negra para continuar o nariz no interior da silhueta.




ESPÁDUAS  e  TÓRAX:
representados de frente;
as que não aparecem de frente, indicam o segundo plano do quadro.



BACIA:
vista de 3/4, como transição entre as espáduas (de frente) e as pernas (de perfil).




MEMBROS:
mãos  =  representadas de plano / os polegares ocupam a mesma posição em ambas as mãos.
pés  =  os dedos não são distribuídos como os polegares; só aparece o dedo maior do corpo, por ser o mais destacado e o mais longo.

Sob Amarna, desenharam os dedos no interior da silhueta dos pés direito ou esquerdo.





dama egípcia, prostrada em adoração


Ísis conduzindo a rainha Nefertari.




ARTE EGÍPCIA do PERÍODO GRECO-ROMANO


332 aC. -  Alexandre Magno conquista o Egito e funda Alexandria.
30 aC.  a  395  -  O Egito sob o Império Romano.
395  a  641  -  O Egito sob o Império Bizantino.




Uma característica dessa época foi a edificação de muitos santuários :

HÓRUS  em Edfu 
(sob PTOLOMEU III),
ÍSIS  em  Filas 
(sob os Ptolomeus e romanos ),
HATHOR em Denderá 
(sob os últimos Ptolomeus ).







Em virtude da crescente importância do culto de ÍSIS, os templos receberam a  "Casa da Natividade" ou  "Casa do Nascimento", dedicada à mãe dos deuses.




Aparecem os capitéis compósitos, formado pela estilização de várias plantas e  um muro de meia altura entre as colunas exteriores dos templos.

Templo de Ísis - fotofilmagem de Jarbas Vilela
Assuan/Filas, 2000.




Tanto os ptolomeus como os romanos são representados com trajes egípcios, oferecendo dádivas a deuses egípcios.



As cenas profanas, como batalhas e caçadas, foram abolidas da arte religiosa.



As cenas de culto tornam monótonos os murais dos templos dessa época.



Os corpos são tratados com mais plasticidade.



As cenas cotidianas possuem um estilo misto  =  greco-egípcio.



Aparecem relevos e estátuas de deuses egípcios com armaduras ou mesmo com trajes romanos.

Hieróglifo do Templo de Kon-Ombo
fotofilmagem de Jarbas Vilela
Egito,2000.



Retratos do defunto, pintados sobre estuque ou madeira, passam a ser inseridos entre as bandagens da múmia, substituindo as máscaras funerárias.

 Retratos ptolomaicos





Os bustos expressam o espírito da cultura greco-helenística, com rigor no tratamento dos detalhes.


Cleópatra VII







 

ARTE EGÍPCIA da BAIXA ÉPOCA


XXI   [ dinastia Tanita ]
XXII e  XXIII  [ dinastias Tebana e Líbia ]
XXIV e  XXV   [ dinastias Núbias ]
XXVI à XXX dinastias  [ Renascença Saíta ]
1.085 a 354 aC..

354 a 332 aC.  -  Domínio Persa.






O vazio espiritual que se estabeleceu neste período produziu uma forte reação arcaica, onde o espírito egípcio se mostrára mais vigoroso e nacional.




Exemplos da busca aos antigos modelos, são a tumba de IBI, da XXVI Dinastia,  "Intendente da Esposa Divina NITÓKRIS" e de  PBES, da XXVI Dinastia.

IBI
descobriu que seu nome e alguns de seus títulos eram os mesmos de um importante funcionário da VI Dinastia, enterrado em Deir-el-Gebrawi, a uns 320 km. ao norte de Tebas. Ele enviou a essa tumba desenhistas para copiarem as cenas e inscrições, reproduzindo-as em seu próprio sepulcro, em Tebas.

PBES
decorou sua tumba com relevos vinculados à XVIII Dinastia, cuja arte remontava à época da construção das pirâmides.  Não houve uma cópia fiel, neste caso, mas uma adaptação da antiga temática.










Tumbas e sarcófagos da XXVI Dinastia,
quase sempre trazem os mesmos textos inscritos nas pirâmides das V e VI Dinastias.

MONTEMHAT,
copiou cenas do templo da rainha HATSCHEPSUT, no Deir-el-Bahari  e  PETAMENOFIS 
ornamentou seu túmulo com cenas mitológicas de tumbas do Novo Império.




As perucas e as vestimentas passam  às cenas um caráter mais vivo, com uma distribuição mais rígida dos elementos.


Surgem inúmeros retratos representando a velhice,
uma abundância das estatuetas de OSÍRIS, ÍSIS e HÓRUS,
imagens em bronze dos animais sagrados,
vastos cemitérios para esses animais.


As estatuetas femininas traduzem toda a fragilidade juvenil das formas.


Incrustação de metal sobre um fundo igualmente metálico  =  damasquinagem ;
incrustações de  "electrum",
pedras semipreciosas,
pastas de vidro e
faiança.
Aplicação de folhas de ouro.





 

ARTE EGÍPCIA de TEL-EL-AMARNA : "Neo-naturalismo".


XVIII dinastia  -  1.370  a  1.354 aC..





Nesta fase, os artistas se desprenderam dos  'cânones' eclesiásticos, fixados nas primeiras dinastias, adotando a livre inspiração.



Há flexibilidade,
abundância de gestos  e sentimentos,
romantismo,
espiritualidade,
ação momentânea, passageira,
decorativa, acima de tudo.

Akhenáten em adoração ao deus Áten
Fotofilmagem VHS de Jarbas Vilela - Museu do Cairo, 2000.






Estela familiar de AKHENÁTEN e NEFERTITE com três de suas filhas.
Museu das Antiguidades -  Cairo


Akhenáten com a dupla coroa e a barba postiça
Fotofilmagem VHS de Jarbas Vilela - Museu do Cairo, 2000.





Representavam as pessoas e os animais com
'mais vida',
impressionante movimentação,
flexibilidade excessiva,
uma multiplicação de detalhes.


A 'eternidade' não teve tanta importância em Amarna.



Fotofilmagem VHS de Jarbas Vilela - Museu do Cairo, 2000.




Os temas constantes foram :
a vida íntima da família real,
aventuras cotidianas,
intenso amor à natureza.

Piso do palácio de Amarna  -  fotofilmagem VHS de Jarbas Vilela
Museu do Cairo, 2000.

Piso do palácio de Amarna  - fotofilmagem de Jarbas Vilela
Museu do Cairo, 2000.



O vizir correndo ao lado do 'merkebet' (= biga) real,
o faraó com a barba crescida,
cenas de carinhos e beijos  ( inclusive na boca ),
egípcios domando cavalos para montá-los ...
isto só aparece na arte amarniense.

Fotofilmagem VHS de Jarbas Vilela - Museu do Cairo, 2000.

 


 



Quando Tebas retoma seu status de capital, com a queda de AKHENÁTEN e ascensão de TUTANKHAMEN, o estilo  amarniano não desapareceu totalmente










A  ARTE RAMÉSSIDA,
a partir da XIX Dinastia  ( 1.320aC. ) ,
recorreu a inspirações amarnienses, quanto à elegância e refinamento, embora usasse uma inclinação a formas mais pesadas.




Nos baixos-relevos ou pinturas de Tebas, desaparece a abundância das flores, dos tecidos, dos ornamentos.


Aplicaram o colorido de fundo branco ou amarelo diretamente sobre o muro de adobe.







 

ARTE EGÍPCIA do NOVO IMPÉRIO : - "Renascimento".


XVIII à XX  dinastias  -  1.580 a 1.085 aC..





O país se enriqueceu
e dessa riqueza nasceu o gosto do luxo.


A arte prendeu-se aos estímulos do imperialismo.

A vivacidade pitoresca sobrepuja o hieratismo.
Exuberância.
Movimento.


Detalhes mas característicos do cotidiano :
cenas de colheitas,
caça,
pesca,
jogos,
interiores de lares, oficinas, escritórios,
preparação de vinho e cerveja,
maneiras de assar o pão,
                  de colher o mel,
                  de caçar e pescar,
brigas,
lutas,
disputas,
incidências familiares,
intercâmbios comerciais.


Os artistas já lidam com todas as cores do arco-íris.






Fotofilmagem VHS de Jarbas Vilela - Luxor, 2000.




Construção de numerosos templos, como
Deir-el-Bahari,
Luxor,
Karnak.

Fotofilmagem VHS de Jarbas Vilela - Luxor, 2000.






Sepulcros hipogeus com várias câmaras ;  a tumba de REKHMIRA tem 300 m2 de pinturas e relevos.




No inicio deste período a pintura mostrava-se influenciada pelas características dos Antigo e Médio Impérios, com severidade, rigidez, simetria, separação distinta das cores.

Mas sob AMENHETEP II  e THOTMÉS IV, revela mais flexibilidade e fantasia, com cores matizadas.


No começo da XVIII Dinastia o fundo era geralmente cinza-azulado.






A arte do Novo Império apresenta três direções ou tendências artísticas:

1ª fase  =  severidade 
( sob Hastschepsut e Thotmés III );

2ª fase =  maturidade 
( sob AMENHETEP II e THOTMÉS IV );

3ª fase =  refinamento  
( iniciada sob AMENHETEP III ).






 

ARTE EGÍPCIA do MÉDIO IMPÉRIO : - "Naturalismo".


XI à XIII  dinastias  -  2.150 a  (?) 1.770 aC..
  




Neste período ocorreu o que poderíamos chamar de um  grande naturalismo  na arte egípcia  :

as estátuas adquirem um olhar meditativo;
os traços do rosto são bem marcados  ( rugas, entradas e saliências );
maior energia na expressão.

Uma impressão de calma, serenidade e melancolia :  uma visão temporal.





O naturalismo é a captação de um momento acidental do mundo que nos circunda.




Na XII Dinastia,
"foram japoneses no seu sentido de oportunidade e delicadeza.  Foram gregos no seu senso de equilíbrio e proporções".  (Hall)




Pavilhão jubilar erguido por SENUSERT I  no Templo de AMEN-RÁ, em Karnak.




As esfinges são representadas de uma nova maneira, com aspecto novo e bem diferente das esculturas anteriores.



Na ourivesaria foi a época em que melhor trabalharam  e incrustaram os metais.




Neste período encontramos a  "têmpera" : gênero de pintura em que as tintas são misturadas com clara e gema de ovo  -  de agradável efeito decorativo.


São carasterísticos deste período,
os escaravelhos,
os marfins,
a ourivesaria.


 







A arte passa a valorizar a técnica e não a inventividade.




"Um indivíduo se valoriza não por suas qualidades pessoais, mas pela nobreza de sua estirpe".  (Arnold Hauser  - historiador e crítico de arte)







SEGUNDO PERÍODO INTERMEDIÁRIO
 
 
XIV à XVII dinastias  -  (?)  1.770 a 1.580 aC. 
 
 


Tumba de  KHNUMHOTEP II  em  Beni Hassan :
pinturas  mostrando semitas  (hiksos / hebreus )  entrando no Egito.



 
 
 
 
 
 


 

ARTE EGÍPCIA do ANTIGO IMPÉRIO : - 'Classicismo".


O Antigo Império compreende da I à VI dinastias  -  3.200 a 2160 aC..
Alguns pesquisadores excluem as dinastias Tinitas  ( I,II, III ) do Antigo Império, iniciando-o com Snefru, fundador da IV dinastia.






À princípio, as  'estelas'  foram os únicos elementos decorados que os egípcios punham nos túmulos.



Depois, passaram a desenhar, esculpir ou pintar, sobre as paredes mais próximas do local onde era colocada a múmia.

Fotofilmagem VHS de Jarbas Vilela - Museu do Cairo, 2000.




Representavam os
portadores de oferendas
e tudo aquilo que fosse útil ao morto, tais como cenas da vida cotidiana :
comidas,
ofícios,
ocupações,
distrações : caça e pesca,
sexo.

Essas cenas primeiro foram esculpidas;
depois receberam colorido.

São, na verdade, os primeiros vestígios do "afresco".






As  ESTÁTUAS  deviam ser vistas de frente ou de perfil e faziam parte do conjunto arquitetônico, ocupando um lugar, uma posição pré-estabelecida determinada pelo arquiteto.

Príncipe Ráhotep "general dos arqueiros do rei" e princesa Nefert
Fotofilmagem VHS de Jarbas Vilela - Museu do Cairo, 2000




As regras canônicas estabeleciam um  'cubismo' da estatuária, um  hieratismo  :
formas planas,
quadradas,
estáticas,
compactas,
com equilíbrio.

Tinham um aspecto imóvel, maciço,
uma posição de eternidade,
um sentido de duração, de permanência
e totalmente libertadas no tempo e no espaço.
Formas de individualismo, com liberdade de composição.

Rei Kafrá (diorita)
Fotofilmagem VHS de Jarbas Vilela - Museu do Cairo, 2000.




Eram a representação da vida eterna, uma juventude eterna, intemporal.




As pinturas e relevos mostram
meninos,
criados,
gentes da classe inferior, representados
brincando,
cantando,
arando os campos,
pastoreando animais...




O nobre, entretanto, devia mostrar
autoridade,
dignidade,
superioridade (= sua posição social ),
a vida eterna.


'Sheik El-Beled"  (madeira com olhos incrustados)
Fotofilmagem VHS de Jarbas Vilela - Museu do Cairo, 2000
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

As pirâmides e os túmulos eram construções religiosas : 
demonstram suas pinturas e textos que os egípcios acreditavam na imortalidade e na ressurreição do próprio corpo ;
o morto tinha os mesmos desejos e necessidades dos vivos.

As esculturas e pinturas mostram homens e mulheres com uma crença maravilhosa em seu destino.









Entre as dinastias III e VI estão as grandes obras do Antigo Império :

as pirâmides de Gizé,
as tumbas de Gizé e Sakára, onde foram enterrados os principais habitantes de Mênfis, durante muitos anos.









Na III Dinastia
inventaram o torno de oleiro e um verniz para as peças de cerâmica.

Na V Dinastia
a arte atinge seu apogeu e fixam-se as suas convenções num  'canon'.


O artista foi primeiramente um amador; depois, profissional. 
Mas sempre permaneceu anônimo e pobre.
 
 
 




 
 
PRIMEIRO PERÍODO INTERMEDIÁRIO

VII à X dinastias  -  2.160 a 2.150 aC..


Destaque para as estelas de  Nefer  e Indy.