sábado, 8 de agosto de 2015

AS FONTES HISTÓRICAS e a RECONSTITUIÇÃO DO MEIO CULTURAL - Jarbas Vilela.



O antigo Egito nos legou inúmeras fontes históricas que permitem reconstituir a sucessão cronológica dos seus faraós, bem como o conhecimento do meio cultural criado por aquela civilização ao longo de milhares de anos.

Além das listagens e crônicas egípcias, dispomos de autores gregos e alguns romanos.

A seguir apresento uma pequena listagem das mais importantes fontes historiológicas do Antigo Egito :





PAPIRO  WESTCAR

 
 
Demonstra uma lista particular dos reis da IV Dinastia e uma idéia das desordens do inicio da  V ;
traz também o conto " Rei KHUFU e seus Mágicos "  oferecido ao soberano por seu filho  HORDEDEF.
Conservado em Berlim.




PEDRA  DE  PALERMO
da  V Dinastia.
 
Gravaram no basalto negro os ANAIS correspondentes às 4 dinastias anteriores e do inicio da V Dinastia :  são os reis que vieram depois dos  'Servidores de HÓRUS'  -  desde a época pré-dinástica até  NIUSERRÁ INI  (= 6º rei da V Dinastia).











LIVRO  DE  SAGEZA  DE  IPUWER
 
Descreve a anarquia provocada pela revolução popular ao fim do Antigo Império.
Pela primeira vez aparece o nome  'Keftiu' (= Creta ) - derivado de  'Kefter' : palavra usada no Primeiro Período Intermediário.







PAPIRO  DE  ILLAHUM

do 7º ano do reinado de  SESÓSTRIS III  ( XII  Dinastia ) ;
permite-nos fixar o inicio do Médio Império.





PAPIROS LAHUN  
 (ou ,erroneamente, KAHUN)


Final da XII  Dinastia  -  Médio Império.
Encontrados  em 1889, no povoado de al-Lahun, no Faiúm, por escavações de  FLINDERS PETRIE.
Reproduzem textos mais antigos e incluem tratados de matemática, de ginecologia e obstetrícia :
#      cálculos da divisão de  2 por cada número ímpar de 3 a 21 ;
#      cálculo do volume de um coletor cilíndrico de cereais ;
#      resolução da equação 1/2 x  -  1/4 x  =  5 ;
     representação da raiz quadrada pela primeira vez ;
#      tratamento das enfermidades da vagina e útero ;
#      método para conhecer o sexo do feto ;
#      receita para um preparado contraceptivo  (= um supositório vaginal preparado com fezes de crocodilo, mel e carbonato de sódio ;
     receitas veterinárias para enfermidades do gado e de animais de companhia, como cachorros e gatos ;
     tratamentos preventivos e curativos de enfermidades dos animais incluem banhos frios e mornos,
                                  fricções,
                                  cauterizações,
                                  sangrias,
                                  castração,
                                  fraturas, etc.
É o primeiro documento escrito que trata da influência da música sobre o corpo humano.
Os fragmentos foram restaurados e traduzidos por F.L.GRIFF.

 



PAPIRO  PRISSE




 
Provavelmente de  ANTEF.
Encontrado em uma tumba da  XII  Dinastia, em  Drah Abul Negada  (Tebas ), em 1856, por ÉMILE PRISSE d'AVENNES.
Escrito por 2 autores, são tratados sobre a moral : 
  o primeiro, incompleto, contém as 2 últimas páginas dos  'Preceitos de KAQMNA'  (ou Kagemni), dedicado aos reis  HUNI e SNEFRU  -  uma recompilação de máximas morais e conselhos sobre a prática da virtude.
   as últimas 15 páginas formam como um opúsculo, conhecido pelo título  'Instruções de PTAHOTEP'., dedicado ao faraó  DIDKARA ISESI, penúltimo rei da  V Dinastia.
Explicado por  CHABOS  ( Rev. Archeol.  - 15/04/1850 ).
Publicado por  PRISSE d'AVENNES -  "Fac-similé d'um papyrus égyptien em caracteres hiè, tourné a Thebes et donné à la  Bibliotèque Mationale à Paris", em 1847.








PAPIRO  GOLENISCHEFF
ou SAN PETESBURGO 1115


Desconhece-se como e quem o adquiriu  -  VLADIMIR SEMENOVITCH GOLENISCHEFF, egiptólogo russo, o encontrou no Museu Imperial de San Petesburgo, em 1881.
Trata-se do conto literário  'História do Marinheiro Náufrago' (ou  'A Ilha da Serpente')  -  em escrita hierática, do Médio Império.
"Embora se trate de uma obra de ficção, os investigadores encontram no texto elementos da história e cultura egípcia, como a exploração mineira no Sinai (que foi intensamente desenvolvida pelo rei AMENEMÉS III da XII dinastia) e as viagens comerciais ao país de Punt, um local ainda não totalmente identificado (seria talvez na região do Corno da África ), mas que se caracterizava pela sua riqueza. Atualmente o texto do Conto do Náufrago é usado em aulas de aprendizagem da língua egípcia."
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conto_do_N%C3%A1ufrago
Museu Pushkin, Moscou.








PAPIRO  MATEMÁTICO  DE  RHIND
 

'Livro de Calcular do Escriba  AAHMÉS'.
Escrito no 33º ano do reinado de  AA-USER-RÁ.
XV  Dinastia   -  2.000 aC.
85 problemas de geometria e aritmética, com suas soluções :
         divisões,
         multiplicações,
         redução de frações,
         cálculo de superfície de triângulos,
                                           de círculos,
                                           de trapézios,
         volumes de cilindros.
Tem 5,5 m. de comprimento.
Conservado no Museu Britânico.
Decifrado por  EISENLOHR, em 1877 e publicado nessa mesma data sob o título :  "Ein Mathematisches Handbuch Des Alten Aegypten".






PAPIRO  MENOR  DE  BERLIM

Pertence ao  Segundo Período Intermediário  (= Domínio Hikso).
Contém fórmulas mágicas de ordem ginecológica e pediátrica.
Editado por  A.ERMAN  - Berlim,1901.
 





PAPIRO  DE  EDWIN-SMITH


Pertence ao Período Hikso,
XVI  ou  XVII  Dinastia.
Texto atribuído a IMHOTEP, famoso arquiteto, sumo-sacerdote e médico do Antigo Império.
Escrito em hierático, tem 4,68 m. de comprimento : dividido em 17 páginas  -  a frente possui 377 linhas e o verso 92.
Contém  13 fórmulas médico-místicas,
               48 parágrafos sobre ferimentos e fraturas,
               tratado de cirurgia óssea e
               patologia interna.
Diagnósticos com uso de substâncias minerais e vegetais.
Distingue os dentistas  ('sunu-ibh')  dos  protéticos  ('iry-ibh').
Adquirido em Tebas, em 1862.
Conservado na Academia de Medicina de Nova Iorque.
Traduzido e publicado por  J.H.BREASTED,
Chicago, 1930.





PAPIRO  SELLIER

XVII Dinastia Tebana.
Gênese da contenda entre  APEPI III e seu vassalo  SEKEREMRA TAU-A-KEN.





LISTA  REAL  DE  ÁBIDOS *
de  SETHI I
 
Galeria de 76 faraós que governaram desde MENÉS até SETHI I.
Omite os reis da  VII  à  XI  Dinastias  e
                      da  XIII  à  XVII  Dinastias.




LISTA  REAL  DE  SAKÁRA *
 
encontrada na tumba de RAMSÉS II
feita pelo escriba  THUBERY  ( ou  TUNREI ).
Do mesmo tempo da  Lista de Ábidos.





LISTA  SACERDOTAL  DO  TEMPLO  DE  PTAH
em  Mênfis.
 
Declara 330 faraós.





PAPIRO  MÉDICO  DE  EBERS
 

Reinado de  AMENHETEP  I.
1.550 aC.  -  XVIII  Dinastia.
Receitas para as moléstias femininas, 
               preceitos de higiene,
               tratados de fisiologia,
               48 operações cirúrgicas,
               lesões ósseas e
               articulações.
Contém mais de 700 fórmulas mágicas e remédios populares, além de uma descrição precisa do sistema circulatório.
Adquirido em 1873  por  GEORG MORITZ EBERS ;
traduzido por  H.JOACHIM ;
publicado em Berlim, 1890.
Conservado na Biblioteca da Universidade de Leipzig.






ANAIS  ( LISTA  ou  TÁBUA REAL ) 
 DE  TUTMÓSIS  III *
 
Gravado sobre as paredes da galeria que circunda o Templo de Karnak :
Relata as 17 campanhas que efetuou na Ásia, ano por ano.
Os textos da 4ª, 11ª e 12ª campanhas estão fragmentados.
O Museu do Louvre conserva a parte da 5ª à 10ª campanhas.
Contém a listagem dos reis da XI, XII e XIII Dinastias.

( As listas excluem os reis estrangeiros, os reis ilegítimos e os reis heréticos )





 
CORRESPONDÊNCIA  DIPLOMÁTICA DE  AMARNA
 
dos arquivos de  AMENHETEP  III  e  AMENHETEP  IV.
São 358 documentos, encontrados em 1887, publicados e comentados em 1915.
O texto é escrito em babilônico  -  língua internacional das chancelarias da época  ;  alguns tabletes são escritos em língua hitita ; os reis se chamam de  "irmãos" :

#   correspondência com os reis dos   Hititas
                                                             Mitanianos
                                                             Assírios
                                 com  KARDUNIASH   ( rei da Babilônia )
                                          ARZAWA  (rei da Cilícia  = Sul da Ásia Menor )
                                          ALASYA    ( rei de Chipre )
#   correspondência com os príncipes considerados vassalos :
                               AZIRU          -  Rei de Amurru
                               ITAKAMA     -  Rei de Kadesh
                               ABDIKIBA    -  Príncipe de Jerusalém
                               RIBADI         -  Rei de Biblos
                                                       [ apelidado de  'cão do faraó' ].
Através desses documentos conhecemos as intrigas existentes na Síria e Fenícia.
                                                        
A maioria dos tabletes perdeu-se, só restando os 358.





PAPIRO  DE  MES
 

Do reinado de HOREMHEB  (?)
Mostra como eram feitas as petições habituais de justiça.
Chama  AMENÓFIS IV  de  'o demônio de Akhetáten'.
Traduzido por A. GARDINER.





PAPIRO  (MÉDICO)  HEAST

 
Provavelmente do reinado de TUTMÓSIS III.
XVIII  Dinastia.
Alguns estudiosos acreditam que o texto provenha do Médio Império.
Encontrado pela expedição de  WILLIAN RANDOLPH HEARST perto de Deir el-Ballas.
São 260 parágrafos em 18 colunas, contendo receitas médicas e fórmulas mágicas, com escrita hierática, especializadas em patologias do sistema urinário, do sangue, dos cabelos :
Remédios para    dor de cabeça,
                            enfermidades digestivas,
                            queda de dentes,
                            males dos pulmões,
                            mordeduras,
tratamento para porcos e hipopótamos.
Conservado na Biblioteca Bancroft, da Universidade da Califórnia.




.

PAPIRO  HARRIS  500


Final do reinado  de  SETHI  I  ou  inicio do reinado de RAMSÉS II.
XIX  Dinastia.
Adquirido pelo Museu Britânico, de A.C.HARRIS.
Contém 3 coleções de poemas de amor : 19 poemas ao todo.
No verso do papiro estão os contos :
             ' A conquista de Jaffa '  e
             ' História do Príncipe DOAMED ' (ou simplesmente  'O Príncipe Predestinado' ).






 

PAPIRO  MAIOR  DE  BERLIM
ou  BRUGSH MAIOR
 

Data do reinado de  RAMSÉS II
Tem as mesmas características do  Papiro de EBERS, mas a parte mágica tem visível preponderância.
Está muito mal conservado.





ANAIS  DE  RAMSÉS  III

 
Gravado nas paredes do Templo de Medinet Habu.
Relata suas duas campanhas contra os líbios e outras duas contra os  'Povos do Mar'.







PAPIROS  DE  TURIM



O  Museu Egípcio de Turim preserva vários papiros interessantes :

*    um deles, conhecido como  PAPIRO  REAL  DE  TURIM, demonstra uma cronologia  desde  MENÉS  a  RAMSÉS II , com o nome dos reis e a duração de cada governo.  O papiro , da XIX Dinastia, está bem fragmentado.

*    outro, da mesma dinastia, relata uma conspiração do harém, no 35º ano do reinado de  RAMSÉS III, resultando no seu assassinato.

*    o chamado  PAPIRO  DE  GRACEJOS   é, na verdade uma "revistinha ilustrada"  com  picantes silhuetas dos movimentos amorosos de um sacerdote com uma cantora de  AMEN-RÁ   -  esse papiro não fica exposto à visão do público, principalmente dos menores de idade.


   um outro  PAPIRO  ERÓTICO  não visível , mostra cenas sexuais explícitas   -   se você é menor de idade não lhe é recomendado assistir esta  reportagem :     http://www.youtube.com/watch?v=GE7hg2kalr4








PAPIRO  HARRIS


Inicio do reinado de RAMSÉS IV .
XX  Dinastia.
Encontrado numa tumba de Deir-el-Medina.
Comprado por A.C.HARRIS, em 1855 e posteriormente pelo Museu Britânico, em 1872.
Tem 41 m. de comprimento e 1.500 linhas de texto hierático.
É ilustrado com 3 desenhos.
Relata tudo sobre  RAMSÉS  III, o "Rampsinito" grego : o luxo, o clero e a sociedade proletária.
Contém leis testamentárias em benefício dos templos.
Não cita a conspiração do harém nem o assassinato de RAMSÉS III.
Traduzido por BIRCH  em "Records of the Past" e publicado por  BREASTED em  "Ancient Records of Egypt", Chicago, 1906.






PAPIRO  ABBOTT
 

Reinado de RAMSÉS  IX.
XX  Dinastia.
Procedente de Tebas, foi adquirido no Cairo pelo Dr. ABBOTT, em 1857.
Relata o roubo de tumbas reais e de civis, todo o processo de investigação durante 16 anos e uma lista de ladrões, escrita no verso do papiro.
Conserva-se no Museu Britânico  [ EA 10221 ], Londres.
Leia todos os detalhes  em      https://it.wikipedia.org/wiki/Papiro_Abbott





PAPIRO  LEOPOLD II  e  AMHERST
 

Datado do 16º ano do reinado de  RAMSÉS IX.
XX  Dinastia.
Fazia parte dos registros do Tribunal : descreve os furtos ocorrido em túmulos, no 13º ano desse governo.
Contém a confissão de 8 homens que entraram na tumba de  SOBEKEMSAF, uma descrição da reconstituição do crime e as punições.  AMENPNUFER é descrito como o chefe.
Museu Britânico. 
Mais detalhes em    https://it.wikipedia.org/wiki/Papiro_Amherst





 

PAPIRO  DE  GRACEJOS  DE  TURIM

Mostra as picantes silhuetas dos movimentos eróticos de um sacerdote com uma  'cantora de AMEN'







PAPIRO  GOLENISCHEFF
 

Relatório de  UNAMON, enviado pelo sacerdote  HERIHOR à Fenícia, para combinações políticas, no governo de  RAMSÉS  XI.
Esclarece o declínio do poderio e o prestígio egípcio na Ásia, no fim da  XX  Dinastia.





PAPIRO  WILBOUR

Demonstra como eram meticulosas as medidas e as coletas de impostos nos tempos raméssidas.
Museu de Brooklyn.





PAPIRO  DE  LEIDEN

( 3,14 m. de comprimento  X  0, 25  cm de altura )
Contém instruções para exorcismos e feitiços.
A.H.Gardiner publicou "Hymns to Amon" from a Leiden Papyrus, in  "Zeitschrift für Ägypt".






PAPIRO  ( MÉDICO )  DE  BROOKLYN
 

Época Saíta  -  texto original provavelmente da  XIII  Dinastia.
XXX  Dinastia   -   450 aC.
Comprimento :  175 X 27 cm.
Foi adquirido em 1889 por  CHARLES EDWIN  WILBOUR.
É um dos mais antigos documentos sobre ofidiologia : 
                       classificação de serpentes,
                       mordeduras,
                       possíveis antídotos.
Contém tratamentos para mordeduras de escorpiões e aranhas.
Museu de Brooklyn  [ 47.218.48  e  47.218.85 ].





PAPIRO  ANASTASI

Contém louvores ao Nilo.
Segundo CÉSARE CANTU, são recordações do escriba  DUANWR-SE-KHARDA ao seu filho  PEPI.




 

CRÔNICA  DEMÓTICA
 
 
Escrita por um sacerdote etíope do deus HARSHEFI, sobre tabletes. 
Fragmentos alusivos aos reinados dos soberanos da  XXVIII, XXIX e XXX  Dinastias.
Profetiza uma visão do Egito sob o domínio persa.
Fala de um salvador que viria da Núbia para libertar o Egito.
Museu do Louvre.








"AEGYPTICA" 
 
 
 
do sacerdote  MÁNETON  (285 aC).
Viveu em Sebenitos, sob o reinado de PTOLOMEU II  da Dinastia Lágida  :  é o único historiador que o Egito nos legou.
Apresenta uma lista de 30 dinastias, enumera os nomes reais  ( de MENÉS a ALEXANDRE ) e a duração dos seus reinados.
O texto original se perdeu, mas importantes fragmentos foram preservados por 
                                       FLÁVIO JOSEFO, 
                                       JULIANO AFRICANO  e 
                                       EUSÉBIO.
Tudo o que sabíamos sobre os reis egípcios, até a decifração dos hieróglifos por  CHAMPOLLION, viera de MÁNETON.







AUTOBIOGRAFIAS

de  METEN 
(sob SNEFRU)
Fala sobre a carreira dos funcionários do Antigo Império ;

de  UNI
Detalhes da história do reinado de PEPI  I ;

de  AMENI 
(filho do marinheiro ABANA)
Descreve a conquista de Aváris por  AHMÓSIS ,
                as campanhas desse faraó na Núbia e
                a expedição de  HÉNU  ao Punt.


de  SINUHE
(funcionário da corte de AMENENHAT I)
Um dos principais documentos sobre a Ásia.
Papiros 10.499 (B) e 3.022(B) do Museu do Cairo.







CORRESPONDÊNCIAS
 

entre  PEPI  e  HARCUFE   -  sobre os pigmeus.

entre os escribas  MÊHI  e  AI   (decifrado por S.SCHOTT).







 
OS  GREGOS  estudaram o Egito :

                         HERÓDOTO  =  a reportagem  (Séc. V aC.)
                         ESTRABÃO   =  a geografia
                         DIODORO DA SICÍLIA  =  a exposição enciclopédica  (Séc. I  dC.)
                         PLUTARCO   =  a filosofia e a religião
                         ERATÓSTENES  =  a sucessão real




OS  ROMANOS   também revelaram certo interesse, através das viagens relatadas por  

                                               GERMÂNICUS,
                                               PLÍNIO,
                                               TÁCITO,
                                               APULEU.




HORÁPOLO  (Séc. IV dC.)

escritor egípcio.
Afirma que o coração dirige o corpo ; que a língua é criadora da existência.











"LISTA DE KARNAK :
Estava gravada em uma pequena câmara de Ajmenu no Templo de Amón, a chamada Sala dos Antepassados. Tutmosis III  aparece entregando oferendas a seus antecessores, os 61 reis ali nomeados.
Esta câmara foi descoberta no século XIX. Em 1843, Prisse d’Avennes desmontou e roubou os blocos levando-o de contrabando para Paris. No templo de Karnak foi substituído por uma cópia bem fiel ao original. Mas não é original…."








"Uma das tarefas da Egiptologia consiste em analisar toda a poeira fragmentária, procurando daí extrair uma imagem exata do que foi o  'Estado Egípcio' em seus diversos estágios e como se processavam as relações entre os homens".
SERGE SAUNERON  )





PAISAGEM


vista através de textos,
                     de documentos papirológicos,
relatos de viajantes mais recentes,
relatos de expedições comerciais ou militares.




FLORA




na decoração de túmulos,
nos  "jardins"  de templos e palácios,
nas madeiras (cujas espécies podemos determinar) antigas de
                                        móveis,
                                        sarcófagos,
                                        barcos,
                                        estátuas
pelos ramalhetes de flores ressecadas,
nas sementes fossilizadas.
Textos literários,
            históricos,
            médicos, evocam numerosas espécies vegetais.


"A palinologia possibilita a identificação de pólens fósseis conservados em terrenos antigos"




FAUNA


nas pinturas,
nos baixos-relevos,
nomes em textos,
ilustrações de fábulas infantís,
nos papiros
e ostrakas satíricas.




DOENÇAS




pela precisão das estátuas e baixos-relevos :

obesidade,
raquitismo  (Baixa Época),
exoftalmia  (= saliência do globo ocular) - estátuas do Antigo Império,
distrofia progressiva pseudo-hipertrófica dos músculos  -  hieróglifos da rainha do Punt,
alongamento craniano, hipertrofia dos quadrís e das coxas  -  estátuas do faraó  AKHENÁTEN,
papiros descrevendo moléstias e a maneira de combatê-las.




SOCIEDADE



sátiras,
ensinamentos e máximas morais,
cânticos de amor,
cânticos de trabalho,
títulos,
documentos administrativos e judiciários,
textos religiosos,
           de magia,
           de cosmogonia,
papiros aritméticos,
             geométricos,
             astronômicos,
relatos biográficos.
Família  =  unidade dominante na sociedade.
                  a tradição comanda sua conduta.
                  o sagrado governa o secular.
Divórcio.


" Foram os primeiros a instituir, entre todos os povos, festas públicas, reuniões, procissões e oferendas" ( HERÓDOTO  -  "História", II - 58).

Os hebreus escreveram sobre  "todos os homens sábios de Faraó" e de como  MOISÉS havia aprendido "toda sua sabedoria dos egípcios".

"Os eleus, que se ufanavam de haver estabelecido nos Jogos Olímpicos as regras mais justas e eficazes, vieram pedir aos sábios egípcios a sugestão de outras regras mais interessantes"   ( HERÓDOTO  -  "História", II - 160).


Os gregos reconheciam haverem aprendido muito dos egípcios, que contribuíram na formação de sua própria vida.  Um egípcio,  CÉCROPS, fundou Atenas.






COSTUMES





Livros (= papiros)  ilustrados com figuras explicativas do texto.
Calendário /Relação  de  "dias santos".
Uso de tinta vermelha para fazer correções nos escritos ou desenhos do aprendiz.
Mumificar.
Sepultar os mortos em ataúdes funerários com o rosto do(a) falecido(a).






POLÍTICA  E  RITO

 



Criação do Estado.
Elaboração das instituições políticas.
Fastos rituais e diplomáticos.
Insígnias  :    o báculo             (papal)
                     a tríplice coroa   (papal)
                     o cajado
                     o flabelo
                     a cruz alada.







DIVERSÕES




jogos de apostas,
' senet '
esporte,
caça,
música,
canto,
contos de aventura,
contos de amor,
contos policiais.





INDÚSTRIAS


Cerveja,
vinho,
cestas,
utensílios,
tecelagem,
cerâmica  ( - precioso elemento para datação de sítios arqueológicos),
técnicas para construir barcos e navios,
abertura de diques e canais para irrigação,
incrustações,
instrumentos musicais,
perucas,
exploração das pereiras,
vasos de diferentes pedras,
metalurgia,
joalheria,
armas,
fabrico de vidro colorido,
fabrico de esmaltes.

Camas portáteis e dobráveis  (com dobradiças de cobre) :
             2 exemplares na tumba e TUTANKHAMEN  (1.349 aC.);

Luvas  para conduzir  'merkebet' :
            Exemplares no tesouro de TUTANKHAMEN.

Coador  :
            -   exemplar da tumba de TUTANKHAMEN, no Museu do Cairo ;
            -   relevo mostrando a rainha NEFERTITE filtrando uma bebida para AKHENÁTEN  -  ilustração no livro    N.de G. DAVIES   -  "The Rock Tombs of el Amarna".






FERRAMENTAS 



cunhas,
pederneiras,
amoladeiras,
enxó,
cinzel,
polidor,
arado  ( com relha de madeira ou metal ) puxado por bois ou pela mulher e filhos ,
enxada de madeira  ( com o gume também de madeira ),
foice de cabo curto, lâmina larga, terminada em ponta  ( usada na colheita ) ,
martelos de dolomita  ( usados para martelar a rocha ).





ARMAS 
 DE MADEIRA,  PEDRA, COBRE
OU BRONZE




Maça ,
bumerangue ,
arco ,
funda ,
lança ,
escudo  ( madeira ou couro ) ,
flecha ,
machado ,
espada ,
arco núbio de 2 cordas *,
capacete  *,
espada longa *,
escudo redondo *.

[ *  usados por mercenários e 'shardamas' - mas que figuram nos painéis egípcios  ].





TRENÓ





Os egípcios se utilizavam de trenós para o transporte de blocos de pedra, obeliscos ou esculturas colossais.
Esses trenós podiam ser puxados por homens ou bois.
Mural da tumba de  DJEHUTE-HETEP, da  XII  Dinastia, em El-Becheh, mostra uma enorme estátua em alabastro, pesando uns 60.000 kg., amarrada a um trenó, puxado por 172 homens, além de 4 aguadeiros,
                                   13 supervisores,
                                    1 diretor e
                                    3 capatazes.




 
 
 
 
 
 
BARCOS 
PARA  TRANSPORTE  DE BLOCOS 
 E OBELISCOS 
 


 
 
 
 
Altos e baixos-relevos em vários túmulos mostram o transporte de blocos em barcos, como aparecem na tumba de MERI, da  VI  Dinastia, em Sakára.
 
 
Outras ilustrações podem ser apreciadas no "Bulletin de l'Institut Français d'Archeologie Orientale du Caire"  ( tomo 9, 1922)  e no "Materiaux pour servir à l'établissement d'um dictionnaire d'archéologie égyptenne" -  GUSTAVE JÉQUIER.
 
 
No Templo de HATSCHEPSUT, a grande barca leva 2 obeliscos arrimados no tombadilho do navio.
 
 
As grandes naves eram talhadas em madeira ou cedro do Líbano e podiam requerer mais de 40 remadores ; barcos pequenos ou individuais, eram feitos de papiro ou sicômoro
 
 
Um dos barcos de SNEFRU  tinha 60 m. de comprimento ; as barcas solares de KHUFÚ, descobertas por  ZAKHI  NOUR, têm 35 m.
 
 
Hieróglifos e documentos relativos a expedições comerciais de  MENTUHETEP  II  ( XII Dinastia -  2.065 aC. ), dizem que na cidade do Mar Vermelho se construiu e se lançou às águas uma  'nave de keben', destinada a navegação de altura.
 
 
Os barcos de navegar no mar, eram chamados  'keben' / 'kebenit'.
 
 
HERÓDOTO, em "História"  II - 96, descreve como eram construídos os navios de carga egípcios.
 
 
No Museu de Turim há um papiro do tempo de  SESÓSTRIS, onde se vê desenhado um navio completamente equipado, com largas velas e os grumetes sobre as enxárcias.
 


 





RELIGIÃO  E  ÉTICA





Descobriram os valores do homem comum.
Escreveram ensaios de como  "vencer"  na vida, máximas morais e discussões sobre a situação do mundo.
Insistiram no sagrado direito à Justiça.
'Faraó'  se converteu em  "bom pastor".
Importância aos direitos do cidadão  (em reação ao Antigo Império).
Negaram a realidade da morte : associaram a morte com a vida.
Ensinaram que a sorte após a morte está subordinada ao valor moral da vida terrena.
Deram à luz o deus sofredor, morrendo e ressuscitando para julgar  (OSÍRIS).

Egípcios e hebreus se consideravam  "eleitos" : ambos criados por Deus. 
      #       Os egípcios eram ricos e geograficamente livres de todo perigo exterior ; tiveram os privilégios de uma vida civilizada ;
      #       Os hebreus eram pequenas tribos maltratadas pelos vizinhos, sendo dispersados completamente  ; criaram uma responsabilidade rigorosa do grupo e do indivíduo.






MODA  E  ESTILO

  



Perfumaria,
vestidos justos, compridos e plissados,
perucas,
tatuagem  (em estatuetas pré-históricas),
sandálias,
leques,
brincos,
pulseiras,
peitorais,
gargantilhas,
maquiagem  :   pintura dos olhos,
                            sombra,
                            batom,
                            "7 espécies de óleos para o corpo",
esmalte para as unhas,
"desodorante"  :
          'Vai, afasta-te, vai-te estender lá onde estão tuas belas mulheres que derramam mirra sobre teus cabelos e esfregam suas axilas com incenso fresco...'  -  tinham no Novo Império unguento especial para a transpiração,
                para amaciar a pele do corpo,
                para remover as pinturas.








CIÊNCIAS





Foram os primeiros a utilizar plantas medicinais para enfermidades.
Seus médicos foram solicitados na Ásia à Pérsia, por seus conhecimentos superiores de Medicina.
Conheceram o calendário de 365 dias séculos antes de ser usado por qualquer outro povo.
Seus matemáticos e arquitetos planejaram construções com pequenos erros.
Calcularam com precisão volumes de cilindros ou pirâmides truncadas.
Seus métodos cirúrgicos ganharam alta consideração.
Conheceram a função vital do coração, do sangue pelo corpo e a volta ao coração.
Obturações de dentes , pontes móveis e próteses.
Inicio da Anatomia e Patologia  (pela preparação e dissecação das múmias).


 


 
 
 


















É a conjugação de todos esses elementos e outros mais, advindos com os avanços da tecnologia, que nos permitem reconstituir, com precisão, a vida e o homem à época dos faraós.





 

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